A Primeira Vez Com Ela

Uma história sobre desejo, descoberta e a primeira noite com uma mulher. O que ninguém conta sobre como é de verdade.

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A Primeira Vez Com Ela

Ilustração

Eu tinha 27 anos e nunca tinha tocado uma mulher do jeito que o meu corpo inteiro, em segredo, pedia para tocar.

Não por falta de vontade. Minhas noites eram povoadas por sonhos quentes, úmidos, que me faziam acordar com o lençol enroscado nas pernas e o coração disparado. Era por falta de coragem. Por anos de negação, de fingir que o que eu sentia era admiração estética ou inveja. Por paralisia diante do desconhecido.

Até Mariana aparecer e, com a paciência de quem doma um animal assustado, me mostrar que o medo era só a porta de entrada.


Como Começou

A gente se conheceu num curso de cerâmica nas manhãs de sábado. Um clichê, eu sei. Mãos na argila, silêncio concentrado e aventais sujos. Ela sentava na mesa da frente. Eu passava mais tempo olhando para as costas dela — a linha da coluna se movendo sob a camiseta, a nuca exposta pelo coque frouxo — do que moldando meu próprio vaso torto.

Ela tinha um jeito de existir que me desestabilizava. A forma como prendia o cabelo com um lápis, distraída. Como mordia o lábio inferior quando a argila não obedecia. Como suas mãos longas e fortes moldavam a terra molhada com uma firmeza que me fazia, involuntariamente, imaginar aquelas mãos em outros lugares. Na minha pele.

Um dia ela virou para trás, limpando o suor da testa com o antebraço, e me pegou olhando. Não um olhar casual. Um olhar faminto. Ela não desviou. Sustentou meu olhar com olhos castanhos divertidos e sorriu de um jeito que me disse, sem nenhuma palavra, que ela sabia. Ela sabia exatamente o que estava passando na minha cabeça cheia de culpa.

Depois da aula, enquanto lavávamos as mãos na pia coletiva, a água fria levando o barro e a vergonha, ela disse:

"Quer tomar um café? Tem uma padaria ótima na esquina que faz um pão de queijo indecente."

Eu queria muito mais que café. Queria a boca dela. Queria a vida dela na minha. Mas disse sim para o café.


A Construção

As semanas seguintes foram uma tortura deliciosa, lenta e calculada.

A gente se via todo sábado. Depois começou a se ver nas quartas à noite. Jantares que duravam horas, garrafas de vinho que esvaziávamos sem perceber. Mensagens de texto que começaram com "bom dia" e evoluíram para conversas existencialistas às três da manhã.

Eu aprendi cada detalhe dela como quem estuda para uma prova final. O perfume cítrico que ela usava. O jeito que ela tocava meu braço quando ria de algo que eu dizia, um toque leve que deixava a pele queimando por horas. Como ela olhava para minha boca quando eu falava, um olhar que descia e subia, descarado e sutil ao mesmo tempo.

E ela sabia. Eu sei que ela sabia. Porque ela fazia de propósito. Se aproximava demais no sofá. Deixava silêncios longos e pesados nas conversas. Me olhava de um jeito que me fazia esquecer o próprio nome.

Uma noite, no apartamento dela, a gente estava no sofá vendo um filme qualquer. Eu não fazia ideia do enredo. Só conseguia pensar na perna dela, coberta por um jeans macio, encostada na minha perna do joelho até a coxa. No calor que irradiava do corpo dela. No espaço entre nós que tinha se tornado inexistente.

"Você está prestando atenção?" ela perguntou, virando o rosto para mim. Nossos narizes quase se tocaram.

"Não," eu disse. A honestidade saiu antes do filtro.

"Em que você está pensando?"

Eu podia ter mentido. Podia ter inventado que estava com sono. Mas eu estava exausta de fingir. Aquele calor na perna dela estava me consumindo.

"Em você. O tempo todo."

Ela sorriu. Aquele sorriso de quem ganhou o jogo.

"Finalmente," ela sussurrou.


O Beijo

Ela se aproximou devagar. Me dando tempo de recuar, de inventar uma desculpa, de fugir. Eu não queria fugir. Eu queria colidir.

A boca dela encontrou a minha e o mundo, literalmente, sumiu.

Não foi como eu imaginava nas minhas fantasias. Foi infinitamente melhor. Mais macio. Mais presente. A boca de uma mulher tem uma textura diferente, uma receptividade diferente.

Ela beijava como se tivesse todo o tempo do universo, sem pressa de chegar a lugar nenhum. A língua dela encontrou a minha e eu senti um choque percorrer minha espinha, descendo direto para o meu baixo ventre.

Minhas mãos, trêmulas, foram para o cabelo dela, soltando o lápis, deixando os fios caírem. As mãos dela, firmes e quentes, foram para a minha cintura, me puxando para cima dela. Eu fui.

O beijo ficou mais intenso, mais molhado. Eu sentia o gosto dela — vinho e menta —, o cheiro da pele dela, o som da respiração dela acelerando contra o meu rosto. Anos de desejo represado explodiram naquela sala.

Quando a gente se separou para respirar, eu estava tremendo visivelmente.

"Você está bem?" ela perguntou, a testa encostada na minha, os olhos fechados.

"Estou. Só que..." Eu não sabia como verbalizar o tamanho daquilo.

"Só que?"

"Eu nunca fiz isso antes. Com uma mulher. De verdade."

Ela se afastou um pouco, o suficiente para me olhar nos olhos com seriedade. "A gente não precisa fazer nada que você não queira. Nada. A gente pode parar agora."

"Eu quero," eu disse, quase desesperada. "Eu quero muito. Só não sei como."

Ela sorriu, e foi o sorriso mais gentil que já recebi. "Você não precisa saber. Não tem manual. A gente descobre junto."


O Quarto

Ela me levou pela mão até o quarto. A luz do abajur criava sombras douradas nas paredes. A cama estava desarrumada, convidativa.

A gente parou no pé da cama. Ela me beijou de novo, profundamente. Suas mãos desceram para a barra da minha blusa.

"Posso?"

Eu assenti, incapaz de falar. Ela tirou minha blusa devagar, beijando cada pedaço de pele que era revelado. Eu tirei a dela, atrapalhada, mas ansiosa.

O corpo dela era lindo. Diferente dos corpos masculinos, duro e anguloso. O dela era suave, curvas que pareciam feitas para as minhas mãos. A pele pálida, com sardas nos ombros que eu nunca tinha visto vestida.

"Você é linda," ela disse, olhando para os meus seios cobertos pela renda do sutiã.

Eu nunca tinha me sentido linda nua. Sempre achei defeitos. Mas sob o olhar dela, eu me senti uma obra de arte.

Ela me beijou no pescoço, descendo para o ombro, as mãos desfazendo o fecho do meu sutiã nas costas. O tecido caiu. O toque das mãos dela nos meus seios nus foi elétrico.

"Posso?"

Eu tirei eu mesma o resto. Ela fez o mesmo. E de repente estávamos ali, pele contra pele, peito contra peito, e era a coisa mais natural e certa que já tinha me acontecido.


A Descoberta

Caímos na cama, ela por cima de mim, o peso do corpo dela me ancorando, me protegendo. A sensação dos seios dela contra os meus era indescritível — maciez contra maciez.

Ela beijava meu queixo, meu pescoço, minha clavícula, descendo devagar, saboreando. Sua boca encontrou meu seio e eu arqueei as costas, um gemido escapando sem permissão. A língua dela no meu mamilo, brincando, chupando, mordiscando. Quente. Molhada. Perfeita.

"Isso?" ela perguntou contra a minha pele, sentindo minha reação.

"Isso," eu consegui dizer. "Não para."

Ela não parou.

Sua mão desceu pela minha barriga, traçando o caminho até o elástico da minha calcinha.

"Posso?"

Eu levantei o quadril, ajudando-a a tirar a última barreira.

Quando ela me tocou pela primeira vez, os dedos deslizando na humidade que eu nem sabia que tinha produzido, eu entendi. Entendi todas as músicas, todos os poemas, toda a espera. Não era sobre técnica. Era sobre conexão.

"Você está tão molhada," ela sussurrou, a voz rouca de desejo, um som que vibrou nos meus ossos.


O Centro

Ela desceu pelo meu corpo, beijando seu caminho até o centro de tudo. Beijos na barriga lisa. Na virilha. Na parte interna da coxa, aquele lugar sensível que me fez tremer.

Eu sabia o que vinha. Eu queria o que vinha. Mas quando a boca dela finalmente me tocou ali, eu não estava preparada para a intensidade avassaladora.

Era diferente de qualquer coisa. Não era mecânico. Era adoração. A língua dela me explorava com curiosidade e reverência. Aprendendo meu ritmo. Descobrindo o que me fazia prender a respiração, o que me fazia cravar as unhas no lençol.

"Assim?" ela perguntava, a vibração da voz dela contra meu clitóris me enlouquecendo.

"Assim," eu gemia, a cabeça jogada para trás, perdida. "Não para, Mariana. Por favor."

Ela obedecia.

O prazer construía em ondas sucessivas, cada uma mais alta que a anterior. Eu sentia meu corpo inteiro se tensionar, se preparar para a queda.

Quando eu gozei, foi com o nome dela na boca, alto, sem vergonha. Com as mãos puxando o cabelo dela. Com lágrimas de alívio e plenitude escorrendo pelos cantos dos olhos.

Ela subiu e me beijou, provando o meu gosto na boca dela. Deveria ser estranho, na minha cabeça antiga. Não era. Era a coisa mais íntima que eu já tinha experimentado na vida.


A Vez Dela

Nos recuperávamos, ofegantes.

"Sua vez," eu disse, sentindo uma coragem nova nascer.

"Você não precisa..."

"Eu quero." E eu queria. Desesperadamente. Queria dar a ela o que ela tinha me dado.

Eu a deitei de costas. Comecei a beijar o corpo dela, imitando o que ela tinha feito, mas guiada pelo meu próprio instinto. Seus seios eram diferentes, mais cheios, reagiam diferente. Ela gemia mais alto, mais livre.

Desci pela barriga dela, nervosa, mas excitada pelo poder de causar aquilo nela.

Quando minha boca a tocou, ela suspirou de um jeito que me deu certeza. Eu não tinha a técnica de anos. Mas eu tinha atenção. Eu ouvia. Eu sentia como o corpo dela respondia a cada movimento da minha língua, a cada pressão dos meus dedos.

"Isso," ela gemia. "Aí. Continua."

E eu continuei, embriagada pelo cheiro e gosto dela.

Ver uma mulher se desfazer por minha causa foi a experiência mais erótica da minha vida. O jeito que ela arqueava as costas, os sons guturais que saíam da garganta dela, a forma como ela repetia meu nome como se fosse uma oração.

Quando ela gozou, tremendo embaixo de mim, eu senti um orgulho feroz. Eu senti que tinha descoberto um superpoder.


Depois

Ficamos deitadas, suadas, pernas entrelaçadas, o silêncio confortável preenchendo o quarto.

"Como você está?" ela perguntou, fazendo carinho no meu braço.

"Diferente," eu disse, a verdade saindo fácil. "Eu me sinto diferente. Como se... como se a cor tivesse voltado pro mundo."

"Diferente como?"

"Como se eu finalmente tivesse chegado em casa. Depois de uma viagem muito longa e cansativa."

Ela me beijou na testa e me puxou para deitar no peito dela.

"Você demorou," ela disse, rindo baixo.

"Eu sei."

"Mas chegou."

"Cheguei."

E dormi ali, nos braços dela, sem sonhos, porque a realidade finalmente era melhor que eles.


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