Aula Particular
Ela disse que queria aprender a tocar violão. Eu disse que precisava corrigir a postura dela. Nenhuma das duas estava falando sobre música.
Aula Particular

— O dedo indicador tem que ficar mais arqueado — expliquei, apontando para a mão esquerda dela no braço do violão. — Senão abafa a corda de baixo.
Julia tentou corrigir, mas os dedos estavam tensos, brancos de força excessiva. Ela bufou, frustrada, soltando o instrumento com um suspiro exasperado que fez uma mecha do cabelo cair sobre os olhos.
— Eu nunca vou conseguir fazer esse acorde. Minha mão é pequena. Meus dedos não obedecem. — Ela olhou para mim, os olhos pidões que ela sabia que me desarmavam. — Acho que não sirvo pra isso.
— É jeito, não força. Relaxa o pulso. — Minha voz saiu calma, profissional, contrastando com o tumulto que acontecia dentro de mim toda vez que ela fazia aquele bico de contrariedade.
Eu estava sentada no chão, de pernas cruzadas, de frente para ela, que estava no sofá. A posição era tecnicamente apropriada para uma professora, mas a energia na sala vibrava numa frequência que não tinha nada de pedagógica. Julia mordia o lábio inferior quando concentrava, deixando-o vermelho e úmido, e eu passava mais tempo olhando para a boca dela do que para as cordas de nylon. Fazia três semanas que ela vinha para essas aulas. Três semanas de tortura e deleite.
— Deixa eu te mostrar — levantei, decidida a quebrar a distância segura que eu vinha mantendo.
Fui para trás do sofá, ficando atrás dela. Aproximei-me devagar, invadindo o espaço pessoal dela com uma deliberação que fez o ar mudar.
Passei meus braços ao redor dela, envolvendo-a. Meu peito encostou nas costas dela. Senti ela travar a respiração por um segundo, o corpo ficando rígido e depois, imperceptivelmente, relaxando contra o meu.
Peguei a mão esquerda dela com a minha. A pele dela era macia, um contraste absurdo com a calosidade das pontas dos meus dedos de guitarrista. As unhas curtas, pintadas de um vermelho escuro, quase vinho, brilhavam sob a luz amarela da sala.
— Solta aqui — guiei o polegar dela para o centro do braço do instrumento, massageando levemente a base do dedo para soltar a tensão. — E arqueia aqui.
Minha boca estava a centímetros da orelha dela. Eu podia sentir o cheiro do shampoo de coco que ela usava, misturado com o perfume suave da pele dela. Era doce, enjoativo e, naquele momento, o cheiro mais delicioso do mundo.
— Assim? — ela perguntou, a voz saindo num fiapo, quase um sussurro. Ela virou levemente o rosto, e sua bochecha roçou no meu nariz.
— Isso. Exatamente assim. Agora toca.
Ela tocou o acorde. Saiu limpo, ressonante, preenchendo o silêncio carregado da sala.
— Viu? — sussurrei, aproveitando a proximidade para deixar minha respiração bater no pescoço dela. — O corpo tem memória, Julia. Você só precisa ensinar a ele onde machuca e onde é prazeroso. Onde colocar pressão e onde soltar.
A frase saiu com duplo sentido antes que eu pudesse filtrar. O silêncio que se seguiu foi pesado, significativo. Julia virou o rosto completamente agora. Nossos narizes se roçaram. O violão ainda estava entre nós, uma barreira de madeira vibrando com a última nota suspensa.
— E você é boa professora? — ela desafiou, os olhos fixos nos meus, escuros e dilatados. Havia uma ousadia ali que eu não tinha visto antes.
— Depende da aluna. — Respondi, sustentando o olhar, sentindo meu próprio pulso acelerar. — Depende do que ela quer aprender.
Tirei o violão do colo dela, colocando-o no chão ao lado do sofá com um cuidado automático, sem quebrar o contato visual. O instrumento gemeu levemente ao tocar o tapete. Agora não havia mais barreira.
— Eu aprendo rápido — ela garantiu, a voz ganhando uma firmeza rouca.
Levei a mão ao pescoço dela, sentindo a pulsação acelerada sob a pele fina, batendo como um pássaro preso. Tracei a linha da mandíbula com o polegar, sentindo-a estremecer sob o toque.
— Então vamos para a próxima lição. — Minha voz falhou levemente. — Sensibilidade tátil.
Deslizei a mão da mandíbula para a nuca, entrelaçando os dedos no cabelo dela, puxando levemente para trás, expondo a garganta. Ela inclinou a cabeça, aceitando, pedindo.
Beijei o canto da boca dela, devagar, testando o terreno. Ela soltou um gemido baixo, um som que vibrou direto no meu peito. Ela abriu os lábios num convite mudo, e eu aceitei.
O beijo não teve nada de didático. Foi faminto. A língua dela encontrou a minha com uma ânsia que apagou o resto do mundo. Mudei de posição, saindo de trás do sofá para me ajoelhar no assento ao lado dela, empurrando-a para deitar.
— A aula de música acabou — murmurei contra a boca dela, sentindo as mãos dela puxarem minha camisa.
— Graças a Deus — ela riu, puxando-me para baixo.
A lezione de anatomia estava só começando. E Julia, descobri logo, era uma aluna excepcionalmente dedicada.
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