O Vestido de Festa
A festa foi longa, o jantar foi demorado, mas a volta para casa foi a parte mais difícil de aguentar.
O Vestido de Festa

— Não consigo tirar. Está preso.
A voz dela veio abafada de dentro do closet, carregada de uma frustração infantil que não combinava com a mulher poderosa que tinha desfilado no salão de festas há meia hora. Sorri, tirando meus brincos e colocando-os sobre a penteadeira. Eu sabia que o zíper daquele vestido verde esmeralda era temperamental. Eu mesma tinha escolhido o modelo na loja, imaginando exatamente esse momento, calculando a dificuldade e a necessidade de auxílio.
— Deixa eu ver — entrei no quarto, largando minha bolsa na poltrona de veludo.
Ela estava de costas para o espelho de corpo inteiro, contorcendo-se levemente, as mãos tentando inutilmente alcançar o fecho invisível no meio das costas nuas. A luz amarela do abajur fazia a pele dela brilhar, dourada e macia, com aquele brilho sutil de quem transpirou dançando. O vestido era justo, obscenamente justo, desenhando cada curva do corpo dela como uma segunda pele, terminando numa cauda sereia que a obrigava a andar com passos curtos e sensuais.
Me aproximei devagar. O cheiro dela invadiu minhas narinas antes mesmo de eu tocá-la: uma mistura inebriante de champanhe caro, o ar da noite e aquele perfume floral com notas de jasmim que eu dei de aniversário.
— Vira de costas — sussurrei, parando logo atrás dela, sem encostar.
Ela obedeceu, soltando um suspiro de derrota e puxando os grampos do cabelo. O coque frouxo se desfez numa cascata escura, os fios caindo sobre os ombros e cobrindo parcialmente a nuca. Afastei o cabelo com gentileza, recolhendo-o para o lado, e não resisti. Inclinei-me e beijei o ponto exato onde o pescoço encontra o ombro, aspirando o cheiro dela.
Senti o arrepio dela percorrer toda a extensão das costas, visível na pele que se arrepiou.
— O zíper... — ela tentou lembrar, a voz falhando, perdendo a firmeza.
— Eu sei. Eu estou vendo o zíper.
Minhas mãos desceram pela cintura dela, moldando o quadril por cima do tecido frio e liso. Puxei o corpo dela contra o meu, devagar, até não sobrar espaço para o ar passar. Eu ainda estava vestida com minha calça de alfaiataria e camisa de seda, e o contraste das texturas — a seda dela contra a minha, o calor do corpo dela vazando pelo vestido — me deixou instantaneamente excitada.
Levei a mão ao fecho metálico. Desci um centímetro. O som do zíper abrindo foi alto no silêncio do quarto. Parei. Beijei a omoplata dela.
— Você me provocou a noite inteira — murmurei contra a pele quente dela. — Aquele jeito que você segurou a taça, olhando pra mim por cima da borda. A mão na minha perna debaixo da mesa durante o discurso do presidente. Achou que ia sair impune?
Ela jogou a cabeça para trás, apoiando-se no meu ombro, expondo a garganta para mim.
— Tira logo... — ela pediu, quase implorando.
— Não. Ainda não.
Desci o zíper mais um pouco, arrastando o metal devagar pelas costas dela. O tecido se abriu como uma ferida verde, revelando a curva da coluna vertebral e, finalmente, o início da lingerie preta de renda que eu sabia que ela estava usando. Aquela renda que deixava mais à mostra do que escondia.
Minhas mãos entraram pela abertura do vestido, tocando a pele nua e quente das costelas, subindo devagar para roçar os seios ainda cobertos pelo tecido da frente. Ela arfou, as pernas vacilando, e se apoiou na penteadeira para não cair.
— Você é má — ela reclamou, a voz rouca, mas se empurrou contra minhas mãos, buscando mais contato.
— Sou paciente. — Corrigi, mordiscando o lóbulo da orelha dela. — É diferente.
Desci o zíper até o final, num movimento único e torturante. O vestido perdeu a estrutura e escorregou pelos ombros dela, deslizando pelo corpo suado até cair aos pés numa poça de seda verde esmeralda.
Ela ficou ali, parada, apenas de calcinha de renda preta, salto alto agulha e aquele colar de pérolas que eu adorava. O reflexo dela no espelho me encarava, os olhos escuros, dilatados de desejo, a respiração fazendo o peito subir e descer rapidamente.
Fiquei de joelhos atrás dela. Não para rezar, mas para adorar o altar que era o corpo dela. Minhas mãos subiram pelas pernas dela, contornando a panturrilha, sentindo a firmeza dos músculos enrijecidos pelo salto alto, subindo pela coxa até chegar na curva do glúteo.
Beijei a pele ali, sentindo o gosto de sal e creme hidratante.
— Agora você pode tirar o resto — ela comandou, a voz trêmula, mas tentando recuperar aquela autoridade que me deixava louca.
Olhei para cima, encontrando o olhar dela no espelho. Sorri.
— E quem sou eu para negar um pedido seu?
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A Psicologia do Desejo: Visual e fantasia
Explorando Zonas Erógenas: Toque além do óbvio
Tensão Sexual: A demora vale a pena